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Escudeiro – Fiel Parceiro

O escudeiro tinha por encargo transportar as armas, em especial o broquel, o escudo do guerreiro. Devia ainda preparar os cavalos de montaria, pois fazia parte da “escuderia” ou “cavalariça”. Era, por isso, considerado um membro do “famulus”, isto é, daqueles criados domésticos ligados à casa senhorial. Era o escudeiro quem servia seu senhor à mesa, o acompanhava em combate e era seu mensageiro. Os escudeiros formavam o grupo de serviçais obsequiados, geralmente jovens oriundos de famílias de vassalos que ficavam de guarda ou como aprendizes no castelo. Na Espanha e no Império Romano eram considerados aprendizes, um estrato inferior da aristocracia. Quando, no século XII, se desenvolveu o hábito de armar o cavaleiro, esses aprendizes passaram a ser considerados aspirantes à cavalaria. Contudo a elevação do custo da ascensão social inteditou tal possibilidade. No século XIV, o escudeiro era, portanto, um aristocrata que, embora tivesse idade e mérito, não poderia tornar-se cavaleiro. este passou a ser assimilado à nobreza, ao passo que o escudeiro manteve-se nos limites do estrato plebeu.

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O poeta Wolfram von Eschenbach mostra suas armas, Códice Manesse, 1304.

Paulo Edmundo Vieira Marques

Especiarias – Cobiça e Fantasia

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Derivada da palavra latina species, que designava qualquer “espécie” de produto e, mais tarde, a partir do Baixo Império (período final do Império Romano do Ocidente), as substâncias aromáticas ou drogas de origem exótica, as especiarias suscitaram a cobiça e a fantasia de muitos ao longo da Idade Média. Segundo o tratado do florentino Pegolotti, La pratica della mercatura, 1340, a lista das especiarias compreendia 286 produtos eliminadas as repetições, há no total 193 espécies. Os produtos comumente utilizados na farmacopeia medieval e provenientes dos três grandes reinos – mineral (mercúrio, bórax), vegetal (anis, cardamomo), animal (âmbar, castóreo, substância segregada pelo castor) – correspondiam a mais da metade da listagem. Depois, vinham os produtos de uso industrial, próprios para o tingimento (alume, indigo), ou utilizados na perfumaria (cânfora, almíscar), compondo 22 por cento dos produtos listados. Finalmente, os condimentos, últimos da lista, 20 por cento, com as clássicas e conhecidas especiarias (pimenta, canela, cravo-da-índia). Além desses constavam da lista: mel, laranja e açúcar, produtos que hoje não mais considerados especiarias

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Um mesmo produto podia servir indistintamente à farmacopeia, à cozinha e às manufaturas, o que dificulta sua classificação por uso e utilidade. Mais de um quarto desses produtos, em particular as grande especiarias orientais, provinha da Índia, e do Extremo Oriente. Caracterizavam-se pelo alto preço e pelo fato de já serem objeto de grande comércio entre os indianos e árabes, antes de alcançarem o mercado europeu. A Pérsia e a Ásia Central forneciam 13 por cento dos produtos citados por Pegolotti, o Oriente Médio e o Egito, 20 por cento. Da África, vinham o marfim e o incenso, das regiões pônticas (na costa do Mar Negro), a sinopita e a argila vermelha da Armênia, dos países nórdicos, o âmbar, o estanho e o breu. mas um quarto dessas especiarias recenseadas provinha, sobretudo, das regiões mediterrâneas, produtos de sua atividade extrativa, agrícola e artesanal. A importância das especiarias na cozinha medieval foi por muito tempo creditada à necessidade de conservar os alimentos, ou à influência árabe. Todavia, um conhecimento mais apurado dos livros de receitas e das contas privadas passou a levar em consideração também os fenômenos de moda e gosto e a diversidade no uso dos condimentos segundo os países, ou as regiões, e diversos meios sociais. O consumo diversificou-se, crescendo conforme subia a escala social. Um tando abandonadas pela arte culinária do final da Idade Média, as especiarias continuaram como base da farmacopeia até a “revolução química” do século XIX. As receitas populares, remanescências de receitas ditas esquecidas ou modificadas, utilizavam os “simples”, mas os receituários e antidotários, expressão das teorias da polifarmácia herdada dos gregos e dos árabes, faziam uso intenso das especiarias em associações complexas.

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A economicamente importante Rota da Seda (vermelho) e especiarias rotas de comércio (azul) bloqueado pelo Império Otomano, 1453 com a queda do Império Bizantino, estimulando a exploração motivada inicialmente pela constatação de uma rota marítima em torno da África e provocando a Era dos Descobrimentos.

Com o intuito de desenvolver o comércio das especiarias entre o Extremo Oriente e o Mediterrâneo, três grandes rotas intercontinentais foram, simultaneamente ou sucessivamente, utilizadas: o golfo Pérsico, nos  primeiros tempos do Islã, o mar Vermelho e o Rio Nilo, sob os fatímidas, e as duas rotas mongóis da seda e das especiarias, sendo Marco Polo, um dos seus precursores, atingindo o mar Negro no início do século XIV. A partir de 1350 e até o final da Idade Média, Alexandria e Beirute foram os grandes mercados desses produtos do Oriente. Sua supremacia só seria contestada em 1498, com a chegada às Índias de Vasco da Gama, que, pelo contorno da África, inaugurou a rota portuguesa das especiarias.

especiarias 4Miniatura da Bodleian Libray, manuscrito que descreve a saída de Marco Polo de Veneza rumo a Rota da Seda.

Paulo Edmundo Vieira Marques

 

O Jogo Medieval

Além dos emblemáticos torneios, havia uma série de jogos medievais, sobretudo a partir do século XIII. Apesar dos esforços conjugados das autoridades civis e eclesiásticas, os jogos de azar – principalmente os de dados – tiveram um grande desenvolvimento nessa época. Não havia taverna sem jogos. Todos jogavam. O poder público rapidamente abandonou a atitude penal em relação a esse tipo de jogo, adotando uma atitude fiscal, As próprias autoridades mantinham as casas de jogos, importante fonte de renda. Essa evolução, desenhada desde o final do século XIII, terminou por volta de 1500.

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 A história do nobre gesto de Alexandre, Rei da Macedônia, livro feito a mando de João da Borgonha, História de Alexandre, século XV. Fonte: gallica.bnf.fr

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 Peças medievais do jogo de xadrez, geralmente usadas também no medievo em virtude do seu significado descritivo do cotidiano medieval.

Por muito tempo apanágio exclusivo da aristocracia, o xadrez conquistou as burguesias urbanas a partir do século XIV. Produto importado que entrou na Europa por volta do 1000, via Espanha, Itália e países nórdicos, o xadrez foi durante muito tempo parte da educação do jovem cavaleiro. O jogo era assunto de vários livros, traduções e compilações que ocupavam lugar de honra nas bibliotecas dos príncipes do fim da Idade Média. Entretanto, antes da grande revolução do xadrez no final do século XV – aquela que transformaria a dama na todo-poderosa do tabuleiro – , o jogo parecia bastante insípido. Era mais massacre que estratégia.

O jogo de cartas era novidade na Idade Média. Na segunda metade do século XIV, surgiu na cena europeia o baralho, decorado com pinturas. Desde o século XV, era praticado por grande parte da população, permitindo a artesãos especializados viver da confecção e do comércio de baralhos. No início um jogo simples, ao longo do século passou a integrar dados racionais que permitiam a elaboração de uma estratégia, em particular com o princípio da distribuição e composição das cartas e a introdução da noção de trunfo. Essa conjugação de azar e reflexão esta na origem do sucesso do novo divertimento.

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 Cartas da Caça flamenga pintado desenhado à mão acredita-se  ter sido produzido na França ou Borgonha, final do século XV.

O jogo de Pela, ancestral do tênis, teve um crescimento sem precedentes no fim da Idade Média e começo do Renascimento. Para a nobreza, era um meio de manifestar sua excelência física e mostrar sua prodigalidade. Jogar com o príncipe era sinal de distinção e um meio de se valorizar no meio da sociedade da corte. A quadra era integrada às residências princepescas, enquanto outros jogos permaneciam nas cidades.

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Representação do Medieval Tennis no Livro de Horas  Hore Beate Marie Virginis secundum Usum Romanum. 1510.

No campo, o jogo mais comum era a Soule, um ancestral do rúgbi. Todos os golpes eram permitidos para apropriar-se da bola. Praticado na Inglaterra, países célticos, norte e oeste da França, era organizado pelos senhores feudais.

Paulo Edmundo Vieira Marques

Batalhas da Vida

“Dei meu nome para alguns, negaram. Dei amor e carinho, recusaram. Dei minha vida, desperdiçaram. Quando da minha morte, espero, reflitam, para a reciprocidade será tarde. Contudo estarei em paz e, assim será, pois a minha alma intocável, limpa e pura me acompanhará”

De um Cavaleiro Anônimo

Paulo Edmundo Vieira Marques

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Força de Deus

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Há muito tempo encaro batalhas, enfrento-as de peito aberto, sem medo, se quiserem me chamar de corajoso, aceito, pois assim agi. Muitas virão, perderei, ganharei, mas deixarei aos meus filhos o legado de que nunca desisti pelo contrário persisti. Cambaleei, levantei, lutei, quase cai, mas o chão não me conheceu, claro o inimigo padeceu. As peleias geralmente são amargas, duras e machucam, mas as minhas feridas são parceiras, cicatrizam rápido, e deixam marcas em meu corpo que me lembram das próximas que ali adiante logo virão. Que venham, estarei pronto com meus escudos e a força de Deus para contemplar meu coração e meu corpo sem desgosto ou frustração.

Paulo Edmundo Vieira Marques.

Paulo Edmundo Vieira Marques.

Caminhos do Medievo

 

 

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A maravilhosa e fascinante Conques, França, a Incrível Cidade Totalmente medieval preservada. Convido Voces a Descobrir em Minha companhia OS Caminhos da Idade Média no sul da França, Entre 19 de abril a 29 de 2015. Visitaremos Toulouse, Conques, Belcastel, Rodez, Najac, Estaing, Bozouls, Albi, Cordes-sur-Ciel, São -Antonin-Noble Val, Castres, Carcassonne, La Couvertoirade e como Maravilhosas Cidad es Templárias e Hospitalárias. Uma Oportunidade Única de viajar atraves da História não MESMO lugar Onde OS peregrinos, cruzados OS, Cavaleiros do SO, camponeses OS, Ferreiros, Monges Guerreiros, Os Reis e SUAS cortes viveram. Maravilhas cativantes e de Beleza indescritível. CRP Onde ocorreram inúmeros eventos Históricos, repleto fazer Sentimento e da magia dos tempos Medievais. Para MAIS INFORMAÇÕES envie-me Uma Mensagem UO-mail e eu te repassarei mais detalhes.

Paulo Edmundo Vieira Marques. Abraço.

Natal Feliz

Medieval Imago & Dies Vitae Idade Media e Cotidiano e a medievalimago.org/desejam do fundo do coração de Paulo Edmundo Vieira Marques um Natal de muita paz, compreensão e amor. Desejo que todos os anjos nos deem proteção e a benção da fraternidade entre as pessoas. Meus amigos uma linda noite de Natal para todos. Alegria e pensamentos positivos.

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Bíblia (o ‘Worms Bíblia “), Salmos-Atos 16:17, Alemanha. Médio Rhineland, Século XII.

 

O Tímpano de Ste. Foy, O Juízo Final

s4906Na arquitetura, tímpano é a superfície da parede decorativa semicircular ou triangular sobre uma entrada, limitada por uma abertura, uma viga e um arco. Muitas vezes contém várias esculturas ou outras imagens ornamentais. A maioria dos estilos arquitetônicos incluem estes elementos citados. Na arquitetura grega e romana e notadamente na arquitetura cristã o tímpano contem imagens religiosas, sendo a parte estrutural mais importante no aspecto religioso, destacando-se principalmente do lado de fora do prédio exposto. Geralmente é colocado de forma chamativa e monumental, pois objetiva transcrever uma passagem importante do contexto religioso a que se destina. O tímpano de Conques, França, na região de Aveyron, é uma obra muito complexa. O tema é o Juízo Final, mas a imagem é instigante, clara, imponente e direta. A direita do Cristo esta os salvos da punição final enquanto do lado esquerdo estão os condenados. As imagens dos salvos são reconfortantes e serenas, mas os torturados e condenados são interessantes pela expressividade da angústia em seus rostos e faces. O enorme conjunto nos cativa de uma forma tão intensa que nos leva atentar por vários instantes para a estrutura sem desviarmos os olhos. Mesmo visto pelas fotos a arquitetura do tímpano de Sainte Foy é de uma beleza indescritível.

O Juízo Final

Na fachada ocidental da igreja da abadia Ste Foy com um arco semicircular profundo contém o tímpano do Juízo Final. Este assunto, bem como o Apocalipse, era popular nas igrejas românicas no sul e sudoeste da França. O tímpano é notável pelo seu estado de conservação, incluindo itens da policromia original (embora as áreas pintadas estão desbotadas), por seu grande número de figuras (mais de uma centena se contarmos anjos e demônios), e pela originalidade de sua representação dos tormentos no inferno. Ele é organizado em três tópicos: o topo com quatro anjos em um padrão radial; no meio com Cristo no centro (não tanto no foco central, como vemos em outros tímpanos medievais românicos) os salvos à direita e os condenados à esquerda; e uma linha de baixo, também divididos entre o Céu e o Inferno. Mensagens, invocações, conselhos são inscritos com passagens bíblicas e morais para aqueles que sabiam ler, por sinal uma característica incomum em fachadas de igrejas.

 A principal inspiração para o Juízo Final veio do Evangelho de São Mateus. No tímpano de Ste. Foy, o escultor enfatiza o momento dramático em que Cristo pronunciou suas últimas palavras, descritos nos pequenos relevos onde dois anjos parecem que o protegem de maneira incisiva em ambos os lados de sua cabeça. Para as ovelhas colocadas à sua direita, Ele disse: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vós estais preparados desde a fundação do mundo”. Virando-se para sua esquerda, Ele disse: “Afastem-se de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” e concluindo que os da esquerda “tenham a punição infinita, mas para os justos a vida eterna”.

 No tímpano de Ste. Foy esta a seguinte inscrição:

O PECCATORES TRANSMUTETIS NISI MORES

JUDICIUM DURUM VOBIS SCITOTE FUTURUM

 “O sinners, change your morals, for you might face a cruel judgment”.

 “O pecadores mudem os seus costumes, ou você pode enfrentar um julgamento cruel”

Paulo Edmundo Vieira Marques – Professor, Historiador e Escritor Medievalista

 

 

Hospitais do Medievo – Nobre Caridade

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O Hospital do Espírito Santo foi fundado em 1332-39 por Konrad Gross, um patrício rico, para o cuidado de idosos e necessitados. Foi a maior doação privada no Sacro Império Romano até 1500. Depois de 1500 o complexo de edifícios foi estendido sobre o rio Pegnitz. Pesquisa Wiki Commons. Livro História da Arte e Arquitetura na Alemanha séculos XVI e XV.  Stefan Humdhammer e Kurek com as fotos.

Os primeiros hospitais do Ocidente remontam à época franca (séculos V a IX). Sob a responsabilidade dos bispos, eles tinham uma autonomia jurídica que lhes permitia receber doações, caridades e legados, seus principais recursos para construir ou manter um hospital. Mas as dificuldades do medievo não favoreciam sua prosperidade e respectiva multiplicação. Foi preciso esperar pelo século XII para que pudesse ocorrer um verdadeiro desenvolvimento dos hospitais, associado ao crescimento e à renovação evangélica.

Os fundadores (príncipes, senhores, bispos e ricos burgueses) pretendiam assim deixar seu nome ligado a uma obra que desse prova de sua piedade. Por isso até os dias de hoje quando se faz uma doação ou caridade se estabelece que a pessoa foi nobre em sua atitude. Esses estabelecimentos foram em princípio considerados locais religiosos, submetidos ao direito da igreja. Dispensados do pagamento de impostos e dízimos, protegidos de qualquer tipo de alienação patrimonial, eles gozavam ainda de privilégios, capela e cemitério particulares, além do direito de asilo. Recebiam todas as vítimas de infortúnio, doença e velhice, reunidas sob a denominação “pobres de Cristo” assim como peregrinos. Na maior parte das regiões, tanto nas cidades como no campo, havia os hospitais, onde se alimentava e dava abrigo noturno aos pobres de passagem e aos peregrinos, e os chamados “hôtels-Dieu” (casas de Deus) nos quais eram acolhidos doentes, grávidas, órfãos e crianças abandonadas.

Os cuidados consistiam sobretudo em garantir o bem estar do corpo e a salvação da alma. Alimentação bem cuidada e regular, o calor de um salão equipado com lareira, terapêutica baseada no uso da medicação tradicional, dentro de parâmetros higiênicos razoáveis e dentro do possível controlados e cuidados, as condições mínimas estavam reunidas para propiciar alívio temporário às pessoas que sofriam principalmente de frio e de subalimentação crônica. mas no caso de doenças graves, não havia condições adequadas para se fazer muito.

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O medieval hospital de The Lord Leycester Hospital  (geralmente conhecido, simplesmente, como o Senhor Leycester ) é uma casa de repouso para os ex-militares em Warwick , Inglaterra, que está localizado ao lado do West Gate, em High Street. O Hospital dispõe da capela de St. James, o Grande, grandes quatros (incluindo Casa do Mestre), um grande recepção (com ante-salas) e um grande salão. Também, dentro do estabelecimento, consta o santo  Jardim do Mestre e do um Museu. A Capela Capela de St. James foi construído em 1126 por Roger de Newburgh, segundo de Warwick. No final do século 14, foi reconstruída pelo Décimo Segundo Conde de Warwick. Ele concedeu o benefício da Capela para a Guilda de St. George, em uma aliança criada em 20 de abril de 1383 sob a licença de Rei Ricardo II. A Guilda de St. George mais tarde juntou-se ao  Sindicato da Santíssima Virgem, que tinha sido base central, sua matriz digamos assim, no Colégio de Santa Maria, formando as Nações Guildas de Warwick. Alojamentos e recepção, refeitório e salas de jantar foram adicionados à capela como uma conseqüência. Fonte Magazine Medieval Science, 1979, BBC. e Wiki Commons.

O controle dos hospitais pelos bispos foi sempre relativamente teórico. Um grande número deles escapava desse controle, em especial aqueles que dependiam das ordens religiosas isentas. Mas a autoridade tutelar, qualquer que fosse, esforçava-se para fazer com que cada estabelecimento fosse bem administrado. Em geral, a gestão dos pequenos hospícios, como eram chamados, era confiada a um responsável nomeado pelo dirigente laico ou eclesiástico, por um período determinado, ocasião em que fazia um juramento de compromisso de governar corretamente o estabelecimento e de cuidar dos pobres com compaixão. Quando assumia a função, era feito um inventário dos bens móveis. Mas, em muitos casos, o cargo de dirigente de hospital era considerado um benefício eclesiástico. Nesse sistema, com frequência ocorriam abusos; não residência dos titulares, apropriação dos ganhos do estabelecimento para fins pessoais, falta de investimentos, reestruturação etc.

As mais altas autoridades da Igreja tentaram reagir, mas na maioria dos casos sem nenhum resultado efetivo. Em instituições maiores, o pessoal era composto por freiras e padres que viviam em comunidade, segundo estatutos inspirados nas regras monásticas. A orientação para uma vida mais regular do pessoal de serviço existiu particularmente nas comunidades de clérigos hospitalários (ordem de cavaleiros de caráter religioso-militar) e nas autênticas ordem religiosas de vocação hospitaleira.

A parte principal dos recursos dos hospitais medievais provinha da doação inicial recebida, acrescida ao longo dos anos dos donativos e legados caritativos, feitos por fiéis para quais os doentes, imagem sofredora de Cristo, eram os intermediários simbólicos, dentro da perspectiva da salvação. Constituídos de bens fundiários e imóveis dados em locação, esse patrimônio propiciava aos estabelecimentos ganhos fixos aos quais ainda vinham se somar recursos aleatórios, vindos de pedidos expressos, oferendas concedidas por visitantes piedosos, bastante significativas, além de roupas, tecidos ou móveis, dados voluntariamente ou recolhidos dos pertences dos doentes que morriam nos hospitais, quando não confiscados dentre os bens dos condenados.

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Antigo Hospital de São João é um hospital construído no século XI, em Bruges, Bélgica. Localizado ao lado da Igreja de Nossa Senhora é um dos mais antigos edifícios hospitalares sobreviventes da Europa. O hospital cresceu durante a Idade Média e era um lugar onde os peregrinos doentes e viajantes foram atendidos. O local foi posteriormente ampliado com a construção de um mosteiro e convento. No século 19, foram construídas oito novas alas, todas em torno do edifício central. Hoje parte do complexo hospitalar mantém o popular, Hans Memling Museum, nomeado pintor, onde inúmeras pinturas de sua autoria são expostas, como os seus famosos trípticos. Fontes: Wiki Commons e O Livro da Arte, Ediouro, Medieval Art. S. Simpson A.

Os hospitalários não religiosos sofreram bastante com as crises da Idade Média; ganhos em baixa, construções em mau estado de conservação ou destruídas, enquanto as necessidades cresciam em ritmo acelerado e alarmantes em virtudes das inúmeras guerras e epidemias. Muitos hospitais desapareceram, e seus bens foram doados aos estabelecimentos que tinham conseguido resistir melhor. Incapazes de enfrentar essas mudanças, assim como os abusos que elas traziam, os administradores hospitalares e seus dirigentes eclesiásticos foram pouco a pouco obrigados a admitir a ingerência das autoridades municipais ou reais na gestão dos hospitais. Dessa forma, a laicização da instituição hospitalar começou no século XV, principalmente nas regiões mediterrâneas.

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Eastbridge Hospital de St. Thomas, o Mártir de Eastbridge foi fundado no século 12, em Canterbury, Inglaterra, para fornecer acomodação para pernoite para os peregrinos pobres ao santuário de São Thomas Beckett. É agora uma dos dez asilos que ainda fornecem alojamento para idosos em Canterbury. Fonte foto Wiki Commons.

Paulo Edmundo Vieira Marques – 06.09.2014, Capão da Canoa – RS – Brasil.

A Universidade Medieval – Um Enorme e Significativo Legado

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Museu de Bolonha, Fragmentos da Arca de João de Legnano (1383). Jacobello dalle Masegne.

As universidades medievais foram uma das criações mais significativas deste período histórico. O medievo, realmente, nos deu um legado cristão rico em conteúdos para uma sociedade mais estável educacionalmente. A universidade era sem contestação uma das instituições mais importantes e significativas da era medieval, até por não existir um modelo equivalente nas civilizações vizinhas, judias, árabes ou anteriores.

A Universidade resulta de um processo complexo para qual convergiram fatores sociais, culturais e históricos. As escolas das catedrais, cujo o crescimento atingiu o apogeu no século XII, e os métodos de ensino que se desenvolveram ali representam uma etapa decisiva no início, no embrião da universidade.

Os estatutos mais antigos datam de 1215 ou 1231 (Paris) e 1252 (Bolonha). A fundação de Oxford, Cambridge e Montpellier também ocorreu antes de 1220. No final do século XV, havia cerca de 60 universidades na Europa. O termo universitas, que no latim clássico significa totalidade ou conjunto, adquiriu o valor de termo jurídico significando corporação ou comunidade. A noção medieval de universidade comportava também a noção da autonomia em relação ao poder civil e espiritual, assim como a solidariedade dos membros da comunidade.

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 Reunião dos Doutores da Universidade de Paris. A Partir de um Manuscrito medieval, provavelmente fazer XV Século.

Em termos de estrutura, podem-se se distinguir as universidades de estudantes e as universidades de mestres. nas primeiras (como de Paris e Oxford), havia uma preponderância de estudantes, enquanto nas segundas (Bolonha e Pádua) os mestres formavam a universidade. Segundo sua procedência, os estudantes estavam agrupados em nações, e a universidade era subdividida em faculdades, reunindo estudantes e professores de uma mesma disciplina. Havia quatro faculdades: artes, medicina, direito (Canônico e Civil) e teologia. Antes de poder ter acesso às faculdades superiores, era preciso seguir o ciclo da faculdade de artes. Nas faculdades, os estudos eram coroados com a licenciatura.

A universidade medieval tinha o latim como o idioma científico de comunicação. Apesar de reservada às pessoas de sexo masculino, a universidade se distinguia por sua composição internacional, baseada em uma impressionante mobilidade de estudantes e professores.

Os estatutos das diferentes universidades informam de maneira bem completa sobre os currícula a prescrição de exames. O ensino universitário medieval se baseava essencialmente na interpretação de texto e discussão. A interpretação de textos canônicos obedecia a regras e, por isso mesmo, contribuiu para a formação de um comportamento intelectual designado pelo termo “escolástica”.

Cada conjunto de colunas de ferro fundido tem detalhes exclusivos sobre ele das capitais

Detalhe de um dos prédios da Universidade de Oxford, Inglaterra.

Paulo Edmundo Vieira Marques

 

Usura – O Adicional Ilícito

Britain Gold Coins

Moedas romanas do século IV encontradas em St. Albans, perto de Londres. A moeda solidus, solidi plural, data dos últimos anos do século IV e foi emitido sob os imperadores Graciano, Valentiniano, Teodósio, Arcádio e Honório. Essas moedas ainda seriam usadas posteriormente como modelos para a confecção das usadas no período medieval.

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Moedas de prata do século XIV, usadas em Londres, principalmente no sul da Ingaleterra no início do século.

Esse termo designava, na Idade Média, o lucro exagerado, exorbitante ligado ao pagamento de uma dívida e também o pecado que consistia em exigir essa diferença. Durante muito tempo considerou-se que a proibição do empréstimo a juros tinha entravado gravemente a prática do crédito e, portanto, o desenvolvimento econômico no Ocidente medieval. A Igreja cristã constantemente a usura.

Desde o Concílio de Nicéia (325), a cobrança de juros foi proibida aos clérigos. Na época carolíngia, essa proibição era estendida aos laicos. O segundo e o terceiro Concílios de Latrão (1139 a 1179) reiteraram essas decisões. A partir do século XII, quando o desenvolvimento monetário da Europa exigiu uma demanda ampla de crédito, a questão da usura tornou-se crucial.

A partir do século XII, formas indiretas de empréstimos a juros como as letras de câmbio, também foram proibidas. O investimento lucrativo, por meio dos bancos e das sociedades, era tolerado quando o ganho recompensava um risco sobre o capital, reparava uma perda ou uma ausência de ganho. As rendas vitalícias também escapavam, sob certas condições, ao delito de usura.

A regulamentação da Igreja era acompanhada pelas autoridades civis. Houve vários confiscos, realizados em nome do princípio da “restituição” já que a usura era considerada um roubo.

s2890,55O Avarento por seguidores de Marinus van Reymerswaele

Tomás de Aquino notou, a respeito da usura, que ela constituía um pecado não por causa de uma proibição específica, mas por ser contrária ao direito natural. A igreja posava de reguladora de uma sociedade movida pela avidez, recalcitrante em relação à caridade. Isso aparece nas reflexões das escolas sobre a noção ‘do preço justo” desde o final do século XII. Não é certo que a teoria do preço justo seja estritamente solidária ao tratamento da usura, pois suas áreas de atuação eram distintas. Mas a preocupação com a correção e verificação era certamente a mesma: a escolástica não pretendia que as coisas tivessem um preço fixo e determinado. Ela fazia a distinção entre os preços ad iudicatum (fixados autoritariamente), ad pactum (estabelecidos contratualmente) e ad par (avaliados por comparação), a fim de situar um domínio de intervenção da ação pública.

Sem dar nenhuma visão angelical da Igreja, pode-se dizer que ela, como agente doutrinário e legislativo, quis ocupar uma posição de magistério em matéria de direito natural. A igreja sofria uma pressão constante em favor da anulação das dívidas ou juros, em um mundo onde o endividamento era geral e de longa duração. Ao mesmo tempo, a necessidade do crédito impunha a existência de emprestadadores profissionais. As oscilações favoráveis ou contrárias seriam duradouras sendo a política conciliadora, entre a Igreja e a sociedade civil mantenedoras de longos diálogos.

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O Moneychanger e sua esposa por Quentin Massys é uma pintura flamenga de 1514

Paulo Edmundo Vieira Marques

A Viagem na Idade Média – Difícil Caminho

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Jean Wavrin. Recueil des Chroniques d’Engleterre. Bruges. 1470-1480. Biblioteca Britânica

A veiage Palavra, derivada do latim vialieum, apareceu no Século XI e, comeu O Século XVI, designava geralmente Uma Expedição militar. A Palavra “Viajante” só apareceria no Início do Século XIV, when como peregrinações se tornaram Constantes.

A Corrente era Viagem Uma Prática na Sociedade medieval, Pelas MULTIPLAS motivações that colocavam na estrada PESSOAS de Todas As aulas Sociais: Viagens do Rei Pará manifestar Seu Poder EM SEUS Domínios, como turnês dos merovingios Que Deram Origem A Lenda dos reis ociosos, e ATÉ A Viagem do Rei Francês Carlos VI (1412) a Bourges. Sem deixar de Lado como Viagens dos Agentes dos Reis, Que se deslocavam POR Razões administrativas, OU como o DOS PRIMEIROS Embaixadores, no Século XV. Como Viagens dos Clérigos consistiam em turnês Pastorais dos Bispos do POR SUA diocese, reunioes concilios de para UO assembleias gerais de Ordens Religiosas e, a Partir do Século XIII, Deslocamentos de Estudantes, de universidade em universidade.

Havia also como Viagens dos Nobres, de hum Torneio medieval um Outro, nos Séculos XI, XII, or XV atraves da Europa.

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Jean Froissart, Chroniques, vol. IV, parte I, Holanda, Bruges. 1470-1472. Biblioteca Britânica.

Outra Modalidade de Viagem ERAM aquelas de Formação de personalidade (Viagem à Prússia), Assim como com Viagens dos Mercadores, dos Aprendizes UO dos that buscavam Trabalho. ISSO SEM Contar como VIAGENS DOS vagabundos, Mendigos, monges, giróvagos (that vagavam de hum Monasterio um outro), temidos Pela Sociedade, e AINDA OS peregrinos.

Como condições de Viagem ruínas normalmente ERAM, COM Estradas preservadas mal, Travessias de rio dificeis e Meios de transporte rudimentares. A Hospedagem NEM era sempre Garantida, apesar da Hospitalidade Oferecida Pelos Mosteiros UO Particulares e da Multiplicação dos albergues não da última Idade Média.

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Peregrinos deixando Canterbury, Siege de Lydgate od Tebas, a Royal 18 D II f.148, 1455-1462. Biblioteca Britânica. Londres.

A longa era Viagem semper, Medida em jornadas. O Viajante era extremamente dela dependente das condições do clima, Como uma neve nas Estradas, OU a Situação dos Alpes e como inundações that tornavam OS Caminhos impraticáveis ​​e intransponíveis. O mar era temido e Ninguém ousava se arriscar Durante como Estações ruínas (mare clausum). QUALQUÉR deslocamento hum pouco distante necessitava de Guias (PESSOAS UO Escritos, Cada Vez Mais Frequentes não da Idade Média final), e intérpretes comeu, principalmente Saindo da Europa rumo ao Oriente Médio OU Para Além DELE. A era Viagem, portanto, Uma Aventura Que O Viajante buscava compartilhar.

Os RELATOS DE Viagem, uo de Peregrinação Pará Os Mais Antigos, surgiram em Número Crescente A Partir de meados do Século XIII, Quando começou a travessia do continente asiático. ELES ERAM Testemunhos da Descoberta OE Entusiasmo de Um Mundo intrigante com o SUAS Paisagens, flora, fauna e Cidades.

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Os viajantes medievais. Cidade murada. A partir do século XV. BNF. Paris. France.

Paulo Edmundo Vieira Marques

Bravura Perpétua – A Vida pela Pátria – Os Monumentos aos Mortos reservados à Elite Medieval

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 Efígie de Dom Garcia de Osório. 1499-1505. Espanha, Toledo. Depois de 1502, a efígie foi originalmente colocada na Igreja de São Pedro  em Ocaña perto de Toledo, na Espanha, mas foi removida quando a igreja sofreu abalos em sua estrutura.  Ele usa o escudo da Ordem de Santiago em seu chapéu; o manto da Ordem é usado sobre a armadura. A igreja de S. Pedro estava intimamente ligada com a Ordem Militar de Santiago, que detinha Ocaña. O tema desta efígie, Dom García Osorio, era um cavaleiro da Ordem de Santiago, e veste o manto da Ordem, com o seu crachá no peito esquerdo. O escudo distintivo da Ordem é usado no seu chapéu de palha. O pomo da espada está inscrito (em latim) ‘Jesus me dará a vitória”, e o punho, ‘ A bênção de Deus”. A igreja também foi usada para reuniões das Cortes castelhanas (parlamento local), e para importantes ocasiões cerimoniais até o final do século XV. Essa efígie atuou como um memorial à família de Dom García Osório, e teria sido reverenciado por seus descendentes e os habitantes locais. Embora o autor do túmulo seja desconhecido, é provável que tenha sido um escultor ativo em Toledo, e pela habilidade com que o trajes e fisionomias são retratados, tanto esta efígie como a de Dona Maria Perea (esposa de Dom García Osorio) sugere uma experiente escultor castelhano talvez influenciado por protótipos holandeses tradição de Gil de Siloé.

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Unidos no combate e perante a morte, os combatentes, os bravos, também os são na glória. Essa glorificação veio com a Guerra dos Cem Anos. As vozes dos moralistas cristãos que recusavam a guerra, essa injustiça gritante, são amortecidas pelas dos patriotas para quem a defesa do país merece bem o paraíso.

As pessoas da Idade Média receavam a “morte trágica”, aquela que não se vê chegar e que surpreende o pecador sem que ele tenha tempo de se arrepender, de se confessar e de receber o sacramento de penitência. Antes da batalha, os combatentes  podiam dirigir-se ao confessor. Depois, era tarde demais. Durante muito tempo, os moralistas cristãos disseram e repetiram que aquele que morria de espada na mão arriscava a sua alma. Porque a guerra é a violência, a cólera e muitas vezes a injustiça. Mas com a Guerra dos Cem Anos as ideias mudam. Nunca se tinha esquecido a lição dos poetas latinos “É doce e belo morrer pela pátria” (Pro patria mori); “é preciso combater pela defesa da pátria” (Pugnare pro patria). nada de mais eral agora do que o dever de “defender o reino e a pátria”, atacados por todos os lados. A pátria (patria em latim, país em francês) designa o solo natal onde repousam os antepassados. Defendê-la é um combate justo, é um dever que merece o Céu por recompensa.

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Tumba de Edward, o príncipe negro, Canterbury, Ingaleterra. UK.

Depois da batalha de Poitiers, um autor fez o elogio daqueles que morreram “morreram na guerra pela pátria”. No século XV, um outro louva Bertrand du Guesclin que estava disposto “a morrer para defender a França”. Finalmente, os espíritos mais avançados, como Christine de Pisan, ousam dizer que aquele que morre pela pátria, combatendo numa guerra justa, ganha o Paraíso.

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O túmulo do grande cavaleiro Bertrand du Guesclin, 1320-1380, Basílica de Saint Denis, Paris. Detalhe do seu escudo.

pensa-se em honrar a memória dos que deram a vida pela pátria, pela glória e pelo direiro; e aparecem os primeiros monumentos aos mortos. A morte heroica de João de Luxemburgo, rei da Bohemia, na batalha de Crécy, fê-lo entrar na lenda. Cego, mas fiel ao seu dever de aliado ao rei da França, manda atar o seu cavalo aos de seus companheiros e lança-se na escaramuça “bastante a frente do combate para não voltar”. O Imperador Carlos IV de Luxemburgo, seu filho, quis celebrar a sua memória no próprio centro das terras patrimoniais da dinastia. Mandou-o pois enterrar na Abadia de Nossa Senhora de Luxemburgo e não em Praga, nem em outro lugar.

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Tumba de João, o Cego, rei da Bohemia, 1296-1346.

E não foi tudo. O seu túmulo de mármore foi ornamentado com uma decoração nunca vista. De fato, João aparecia nela rodeado de cinquenta figuras, representando os seus cavaleiros, caídos com ele em Crécy, bem reconhecíveis pelos os seus brasões.

Nada podia ser esquecido da existência daquele que encontrou a morte na guerra, nem a sepultura do seu corpo, nem a salvação da sua alma e muito menos ressaltar os feitos heroicos para salvaguardar a sua pátria e os seus aliados.

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Dijon Beaux Arts Museum – O túmulo de Felipe, o Corajoso, Duque de Borgonha.

O dever da memória perpétua era incumbência de toda a comunidade, e não apenas à linhagem, que compete depois o dever de memória. Os monumentos medievais em homenagem a nobreza tiveram um significado cultural muito importante na Idade Média. restabeleceu um local de oferendas, de homenagens. Um local em que o povo em geral prestava a sua condolência aos feitos do nobre morto. estabelecia uma relação estável com a igreja pois os monumentos eram construídos em catedrais e o seu culto em geral trazia e aglomerava enorme quantidade de fiéis. Os monumentos estabeleceram a união e respeito do povo com a igreja pois a localidade estabelecia um vínculo reverencial ao seu homenageado. Como eu cito em meu livro: “Se como um bravo lutar e, morrer, ao lado de Deus haverei de sentar e, viver”

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Sepulcro de João I de Castela, Catedral de Toledo, Espanha.

Paulo Edmundo Vieira Marques

Perigos e Desafios de uma Peregrinação no Medievo – Santiago de Compostela

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 Catedral de Santiago de Compostela – Muitos historiadores e estudiosos acreditam  que no século XII, Compostela se sobressaiu como um destino de peregrinação. Em última análise, a maneira pela qual adquiriu tal proeminência pode continuar a ser uma questão de conjectura, a verdade é que as autoridades de lá, tanto secular e eclesiástica acreditava que eles estavam em uma posição para elevar o santuário de Santiago de Compostela a um estatuto de igualdade com o de Roma e Jerusalém.

As peregrinações à Santiago de Compostela, na Idade Média, na maioria das vezes, os seus viajantes faziam o seu percurso a pé. Árdua, perigosa, desconfortável, maravilhosa e gratificante trilha. No entanto, para certas etapas particularmente difíceis, como a travessia dos Pirenéus, era-lhes permitida alugar montadas, cavalos ou muares ou mulas, que se encontravam nos albergues situados no sopé da montanha. As etapas dos Pirenéus eram temidas porque os peregrinos receavam-se perder-se. Era por essa razão que os mosteiros e os albergues situados no caminho faziam tocar o sino a intervalos regulares.

O peregrino alojava-se em casa dos habitantes ou, para os mais abastados, na albergaria, mas os peregrinos, principalmente aqueles advindos do norte, não gostavam das hospedagens espanholas por motivos variados, mas não apreciavam objetivamente a comida e a pouca higiene. Os pobres do medievo recebiam muitas vezes hospitalidade num estabelecimento religioso. Não só cada abadia tinha, em princípio, um serviço de esmola para os viajantes mas a partir do século XII desenvolveu-se toda uma rede hospitalar destinada especialmente aos pobres e peregrinos.

Esses hospitais ou hospícios (na Idade Média, as duas palavras são sinônimas) fundados por iniciativa dos reis, de bispos ou de simples particulares, eram muitas vezes confiados a comunidades religiosas: cônegos de Santo Agostinho, templários, cavaleiros hospitalários de São João de jerusalém ou ordens específicas como a de Aubrac, fundada em fins do século XI para acolher os peregrinos, o de Santa Cristina no desfiladeiro de Somport e o de Ronceveaux no desfiladeiro com o mesmo nome. Num manuscrito do princípio do século XIII, chamado La Preciosa, gaba-se o bom acolhimento feito aos peregrinos: os banhos oferecidos aos que chegam, a boa comida (havia mesmo uma sala repleta de frutas: perincipalmente romãs e amêndoas. os cuidados médicos, a assistência aos moribundos.

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A  linda cidade de Conques, na França, um dos trajetos e paradas de descanso da peregrinação à Santiago de Compostela.

Na estrada, o peregrino não estava livre de perigos. Em princípio, a partida fazia-se na primavera ou no principio do verão, mas durava vários meses para os peregrinos do norte da Europa (em média seis meses, apesar de haver registros de recordes de 2 meses) e o viajante afrontava o frio e mau tempo. Mais insidiosos eram os perigos vindos dos homens: ladrões e salteadores de estrada. Era por isso que a maioria dos peregrinos viajava em grupo ou se agrupava no caminho, muitas vezes com viajantes da mesma região.

A este propósito, um dos milagres mais célebres de Santiago relata a História do enforcado tirado da forca: segundo a versão mais desenvolvida, um jovem que viajava com os pais para Compostela recusa, na albergaria, os avanços de uma criada. Despeitada, esta esconde-lhe na bagagem uma taça preciosa e depois vai denunciá-lo como ladrão. preso, o jovem é condenado à morte e enforcado mas Santiago apoia-o milagrosamente, e no seu regresso os pais encontram-no vivo.

O “jacquet” , em francês Santiago denomina-se Saint Jacques, daí o nome dado aos peregrinos franceses de jacquet, finalmente chega ao santuário de santiago de Compostela. A visita é gratificante, observa várias relíquias que a catedral contém, ajoelha-se diante da imagem de Santiago que esta no Altar-mor, depõe a sua oferenda num grande cofre segundo um ritual preciso. Muitos passam a noite rezando na igreja e o quadro pitoresco dado por um documento do século XII aplica-se também aos séculos seguintes: os peregrinos franceses, alemães, italianos, gregos, cantam e rezam juntos, cada um na sua língua, enquanto se ouvem os sons de toda a espécie de instrumentos musicais.

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As rotas e paradas de descando dos caminhos de Santiago de Compostela – The pilgrim routes to Santiago de Compostela

A concha é a prova e a proteção do peregrino penitente. Um certo números de peregrinos continuava a sua peregrinação até o Padrão, lugar onde, segundo a lenda, o corpo do santo teria dado à costa numa barca de pedra. Por vezes, aproveitam para apanhar conchas na praia que depois cosem no alforge ou nos fatos. A maioria compra de fato essas conchas ou reproduções delas em chumbo no adro da catedral. Foram encontradas mais de duzentas conchas em túmulos de peregrinos espalhados por toda a Europa.

No caminho de regresso, a concha atesta a execução da peregrinação e coloca o peregrino sob a proteção direta do apóstolo. Uma vez de volta a casa, o peregrino não se esquece de venerar a Santiago por ocasião do seu dia, sobretudo se fizer parte de uma das confrarias de Santiago que proliferam no século XIV e que permitem prolongar os efeitos da peregrinação reconstituindo a grande família dos que enfrentaram a estrada para ir venerar o santo.

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Existe evidência arqueológica para a associação da concha com a peregrinação compostelana, sob a forma de uma concha que foi descoberta dentro de um túmulo ao longo da nave norte da Catedral de Santiago. Devido à sua localização, é datado de até 1120. A primeira prova escrita para a concha como símbolo da peregrinação é um dos milagres incluído no Livro II do Liber Sancti Iacobi que é datada de 1106. Assim, podemos concluir que a concha foi usada como um símbolo da peregrinação a Santiago de Compostela, no início do século XII, e parece plausível concluir que a tradição manteve-se no decorrer dos tempos.

Paulo Edmundo Vieira Marques

Caminhos do Medievo, um roteiro pela história no sul da França Publicado por Rejane Martins

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 Conques, França

 Sempre se aprende quando se viaja. Porém, se for um roteiro repleto de história e vivências com o respaldo de quem domina o assunto, a absorção é bem mais eficiente e prazerosa. 

Algo mais do que viajar é a proposta do programa Caminhos do Medievo preparado pela Bel Paese Turismo para abril de 2015. 

Na quinta-feira, dia 14 de agosto, às 19h, quem quiser “ter um gostinho” dessa viagem tem encontro marcado no mezanino da Barbarella Bakery.  O historiador medievalista Paulo Edmundo Vieira Marques vai apresentar alguns detalhes do roteiro. 

A entrada é franca. Favor confirmar presença pelo e-mail deliapaese@hotmail.com

Desfrute do prazer de conhecer a Idade Média em sua verdadeira essência, passeando por Toulouse, Conques, Belcastel, Rodez, Najac, Estaing, Bouzouls, Albi, Cordes-Sur-Ciel, Saint-Antonin-Noble-Val, Castres, Carcassonne, La Couvertoirade e cidades templárias no sul da França de 19 a 29 de abril de 2015. 

Caminhos do Medievo terá acompanhamento e instrução de Paulo Marques e da professora de história Délia Paese, proprietária da Bel Paese Turismo, com 27 anos de experiência em roteiros ligados à história, arte e arquitetura.

Caminhos do Medievo |14 de agosto | quinta-feira | 19h às 21h 
Barbarella Bakery | Dinarte Ribeiro, 53 | Moinhos de Vento | Porto Alegre

www.nexocomunica.com/caminhos-medievo-um-Roteiro-Pela-historia-sul-da-franca/

 

A Educação das Crianças no Medievo. O Amor Parental

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O Homem rico Jean Bourdichon. 1500. Domínio Público

A presença dos pais na educação dos seus filhos na Idade Média é constante e presente. É errado pensar que, no medievo a criança pequena seja educada unicamente pela mãe e que, subitamente, deixe um mundo de mulheres para ser atirada para um mundo de homens. O pai intervém também no domínio da puericultura. Quando um casal tem muitos filhos, quando a mãe sofre de uma incapacidade ou tarda em recompor-se de um parto difícil, é evidente que o pai se ocupa dos bebês, sobretudo nos meios mais desfavorecidos, não necessitando de ajuda. No meio rural, o camponês, adquire com os seus antepassados, uma cultura e instruções suficientes para cuidar de crianças recém nascidas. Nas elites os pais são presentes nestes momentos com um relacionamento e amparo moral e psicológico para com a mãe, não se descuidando dos cuidados que o bebê requer com a ausência da mãe.

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Sete Sacramentos Retábulo. 1445-1450. Weyden, Rogier van der. A Atenção de da Igreja com a educação das crianças. A catequese fundamental.

 Quando uma criança cresce, o pai também esta muito presente junto dos filhos. Imagens mais profanas deixam ver uma grande cumplicidade pai-filho, quer no jogo, no trabalho, no lazer. Os exemplos, principalmente do pai é assimilado de uma forma muito concreta e forte. A família medieval é uma comunidade é uma comunidade jurídica de pessoas saída do casamento que vivem “em comunhão de mesa e fogo”, mas também é uma comunidade psicológica de seres unidos por laços afetivos extremamente fortes. Colocando um contraponto a esse grande historiador Philippe Ariès que escreveu em L’enfant et la vie familiale sous l’Ancien Régime que na Idade Média não existe o conceito de infância e os pais medievos não se preocupam com a educação, nem sentem amor pelos filhos, retruco com o auxílio de outros historiadores medievalistas, com pesquisas atuais, com excelentes argumentos que demonstram que a infância medieval é uma idade da vida bem determinada por vocabulário preciso, por qualidades particulares, que pais e educadores fazem questão em ocupar-se da formação dos jovens e que existem numerosos vestígios de amor parental. O artigo de D.Alexander-Bidon “Grandeur et renaissance du sentiment de L’Enfance du Moyen Áge, em Histoire de l’Éducation é interessante neste aspecto, recomendo.

r7568, 5Durante o seu desenvolvimento no início dos séculos 12 e 13, a Universidade de Bolonha foi exemplo de comprometimento entre alunos e professores. Priorizando substancialmente a educação abrangente. A busca de um conhecimentos a partir dos jovens. O incentivo paternal através da família e da igreja no objetivo de um bem comum.

Paulo Edmundo Vieira Marques

Paulo Edmundo Vieira Marques

Caminhos do Medievo – Paths of the Middle Ages

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No ano que vem, 2015, abril, nós vamos trilhar a maior aventura de nossas vidas.
Olá meus amigos, se vocês precisarem de maiores detalhes sobre a viagem, por favor, entre em contato no e-mail deliapaese@hotmail.com ou adicione Delia Paese no Facebook e envie uma mensagem inbox, solicitando as informações detalhadas a respeito dessa maravilhosa aventura. Espero que entendam que há somente 20 vagas e a sua reserva antecipada é fundamental. Vamos caminhar juntos nessa linda jornada.
Não perca o seu lugar! Abraços queridos amigos. 

Paulo Edmundo Vieira Marques.

A Caça na Mesa Medieval

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 Horae ad usum Romanum. Fonte: gallica.bnf.fr Biblioteca Nacional da França, do Departamento de Manuscritos, Latina 1156 B, fol. 4R.

Primeiramente a caça tem uma utilidade concreta evidente. Permite limitar proliferação de animais, particularmente dos prejudiciais à época. Se os camponeses não apreciam particularmente ver o bando de caçadores atravessar as suas terras, também não aceitam as raposas nas suas capoeiras nem os estragos dos javalis nas suas plantações. Caçar lontras que atacam os viveiros ou os lobos que atacam os rebanhos faz parte da função senhorial. Qualquer grande senhorio tem os seus caçadores de lontras e de lobos e o príncipe participa por vezes nessa caça administrativa, que não é forçosamente muito gloriosa. Assim, dessa maneira de caça, os lobos podem ser envenenados, encurralados em armadilhas (no cepo, no fosso ou com agulhas escondidas na isca). Em um manuscrito, nas contas da gruerie, direito real, de Borgonha mencionam para 1354 a captura de 11 lobos, 4 lobas e 34 lobinhos. Também se caça o lobo de uma forma, digamos, mais digna mas muito raramente. Assim quando a crise multiplica os baldios nos princípios do século XV, os lobos à procura de alimento recuam para as vilas. Consta em alguns escritos do início do século XV, que se lê lobos entrarem nas ruas da capital atacarem crianças indefesas. Grandes batidas foram organizadas para amenizar a proliferação dos lobos à Paris.

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 Livre de Chasse de Gaston Phébus. século XV. Paris, BnF, Département des manuscrits.

A caça fornece peles e sobretudo carne. As primeiras são muito úteis numa sociedade em que o aquecimento é praticamente inexistente. Pobres e ricos usam-na no interior de suas vestimentas, cada um escolhendo segundo as suas possibilidades e posses. A caça grossa fornece uma parte apreciável da alimentação da nobreza, se bem que os camponeses tinham a experiência e discernimento para escolher caças pequenas que tinham um potencial nutricional muito grande, esquilos, ratos do mato etc. Qualquer grande senhor tinha a possibilidade de alimentar a sua família, o seu palácio (servidores, clérigos ou pagens). Os camponeses e demais alimentam-se estritamente do necessário no que se refere a carnes, os vegetais, em compensação, são a alimentação preferencial juntamente com os cereais, o pão principalmente. No reinado do rei Carlos XVI, a montaria fornece todos os dias à mesa real duas a três peças capturadas nas florestas da bacia parisiense abundantes em caça. Como os solares, castelos adjacentes, abrigam cerca de oitocentos pessoas, compras de carne do açougue complementam o aprovisionamento. Outros cortes são menos ávidas de caça e reservam-na para ocasiões especiais. à mesa do arcebispo de Arles, só se consome cervo uma vez por ano. Além disso, nenhuma corte consome toda a caça apanhada. É uso dar-se uma parte considerável a aliados ou servidores de alto nível, assim como também se recebe muito frequentemente dos seus vassalos. Aos camponeses que auxiliam os possíveis esconderijos dos cervos maiores também recebem uma pequena parte dos pedaços menos apetitosos. O príncipe, dentro da sua corte, oferece o cervo e a caça grossa aos membros do conselho ducal, aos seus parentes, às grandes abadias e também ao clérigo. A caça materializa os laços de aliança ou de submissão no seio da sociedade política medieval.

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Oxford Bodley. Cervo. Unknown.  Inglaterra, ca 1225-50.

Paulo Edmundo Vieira Marques

 

As Canções de Gesta – Chansons de Geste

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 Batalha de Roncesvalles nos Pirineus, 778 AD, foi a base do épico “Chanson de Roland”. Autor desconhecido. Iluminação de manuscrito, Bruges, flamengo, 1462.

A figura do cavaleiro e o simbolismo que o rodeia estão no centro destas narrativas literárias em língua vulgar. O cavaleiro desempenha um papel preponderante nas Canções de Gesta, do latim gesta, proezas, gênero épico abundante no século XII e cuja gênese esta sujeita a muitas controvérsias. Estes poemas narrativos de comprimento variável são salmodiados, relacionados em salmos, em melodias simples pelos trovadores, garantindo e repassando a transmissão oral dos textos. A maior parte das canções de gesta e algumas trovas(contos para rir) eram de fato destinadas a serem cantadas num monocórdio (salmodiadas) por viajantes; uma das ocupações retribuídas destes era propagarem estas histórias de lugar em lugar; é por isso que esses textos comportam muitas interrupções e reclamam continuamente a atenção do auditório ou por ventura um número ou grupo de pessoas que a ouvem, pois atenção tem que ser instigante e curiosa. A obra-prima do gênero é a célebre Chanson de Roland, poema muitas vezes retocado e cuja a mais antiga versão, o Manuscrito de Oxford, dataria de 1100. Canta os altos e heroicos feitos de Roland, sobrinho de Carlos Magno e glorioso defensor da fé cristã. Poema de alcance patriótico, nacional, religioso e de estrema bravura, faz do cavaleiro conquistador o defensor da coletividade, da comunidade, de todos os cristãos. É um gênero que apresenta poucos traços realistas, pois descreve a guerra de uma forma genérica, muito abrangente, de grandes traços. Transmite todavia a atmosfera e o fervor que as anima, a atitude do cavaleiro valente e bravo em todas as ocasiões, descrevendo sem pudor ou restrições a crueldade dos combates corpo a corpo e a extrema violência recíproca.

O tema tradicional da chansons de geste ficou conhecido de maneira mais abrangente na França. De 1150-1250, a canções de gesta são ordenados em ciclos:

  • O ciclo do Rei Carlos Magno
  • O ciclo de Doon de Mayence ou o ciclo dos barões rebelaram
  • O ciclo de Garin Monglane

As Canções de Gesta reflete as estruturas características da literatura oral. Mas estes efeitos foram congeladas em textos escritos. As Chanson de Geste esta enraizada no nacionalismo, nos feitos dos seus ancestrais, nos feitos das cruzadas, enfim em todas as guerras contra os inimigos que ameaçam as suas terras onde a honra e a vida de um país para garantir a honra e a vida são defendidas pelos heróis cavaleiros sem temores e com extrema bravura. ou seja o herói tem que reagir. As Canções de Gesta esta, portanto, ligada a preocupações ideológicas: é um épico político real.

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La Chanson de Roland, em anglo-normando, primeiro trimestre do século XII, parte I, iniciando a parte 2. The Bodleian Library, University of Oxford.

Paulo Edmundo Vieira Marques

 

A Espada – A Força do Cavaleiro

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A espada na Idade Média tratava-se de uma palavra divina, símbolo de bravura e poder. Marca de uma condição nobre e militar, a espada é a ordenadora da Criação, destrói a ignorância e o mal, mantém a justiça e a paz, permitindo ao Cavaleiro captar os conhecimentos e libertar-se das paixões. Imagem ígnea, axial, fazendo do Cavaleiro um “herói solitário” a exemplo de Cristo, a arma é o elo vertical entre o Céu e a Terra, tal com o Cavaleiro, canais por onde comunicam o Princípio e os homens.

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Rei Ricardo I, Coração de Leão, Estátua em frente ao Parlamento, Londres. UK.

Cruz Luminosa, a espada é também a imagem da cruz, nova Árvore do Mundo sobre a qual, como Odin, foi içado o Verbo Incarnado, vindo para vencer a morte e resgatar os pecados do mundo. Portador da espada-cruz, o Cavaleiro, é a imagem viva de Cristo, cujo regresso à Terra prepara. Nesta base, os textos medievais não hesitam em fazer da espada um ser vivo dotado de certa vida, mas “vida” ligada à a do seu portador, e de um nome, o qual é uma coisa viva e possui um poder do criador quando pronunciado, tal como Joyeuse (a espada de Carlos Magno) Excalibur (Arthur), Hauteclair (Oliveiros), Durandal (Rolando), etc. A espada tem uma “alma” simultanemaente distinta e comum à do Cavaleiro de que recebe força e sopro vital (anima, dá-lhe atitude). Ao brandi-la, o Cavaleiro prolonga a sua própria alma sensitiva pela alma vegetativa da arma, permitindo-lhe atingir, por analogia, o Principio Primeiro, por conseguinte pôr em contato o Céu e a Terra.

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Master of Ghent, Pintores Flamengos. Início do Século XVI.

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Retrato de Felipe, o Belo. Portrait of Philippe le Beau 1478-1506; revers: Saint Liévin.

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Warrior Giorgion with its Equerry. Cavazzola

Paulo Edmundo Vieira Marques