Villefranche-de-Rouergue – Bastides de Rouergue, a Nova Cidade

Villefranche-de-Rouergue é a primeira “cidade nova” fundada por Alphonse de Poitiers em 1252. Esta inovação estrutural das cidades marcou a floração e progresso da região de Midi-Pyrénées durante a Idade Média.

A bastide alfonsina é criada no coração de um vale, num território com abundantes recursos naturais (pedreiras, veias de prata, terras aráveis), e terras agrícolas complementares. Sua vocação é reagrupar uma população dispersa para organizar e criar trocas econômicas favoráveis ao seu fundador e seus habitantes. A bastide de Villefranche-de-Rouergue adota um plano urbano regular, composto por uma série de ilhotas de casas em faixas, que reúnem uma rede octogonal e ruas longitudinais (principais) e transversais (secundárias). Quatro das oito principais ruas se conectam à Praça Notre-Dame, centro de instituições comerciais, políticas e religiosas. Este grande quadrado alinhado com estantes e feiras é aonde o mercado ocorre, e é dominado pela Catedral de Notre-Dame.

As ruas de Villefranche me transportou para a Idade Média, literalmente. Ruelas estreitas de uma peculiaridade marcante. Portas antigas e lindas, janelas decoradas, lojas convidativas, pessoas felizes, enfim, minha mente guarda com carinho os passos que percorri do ônibus até a praça central. Inesquecíveis.

Se você quiser ter um bom exemplo do que é uma bastide*, você encontra em Villefranche de Rouergue, uma vila de origem medieval que foi criada em 1252, e agora tem cerca de 8.500 habitantes, no departamento de Aveyron, no Midi-Pyrénées.

Localizado nas margens do rio que dá seu nome ao departamento, a bastide de Villefranche de Rouergue é organizada em torno da praça de Notre Dame, o ponto central desta cidade, onde se encontra a abadia de Notre Dame, um edifício que começou a ser construído 1260 e foi concluído no final do século XV.

Esta praça é também o local para o tradicional mercado das quintas-feiras, que estabelece em Villefranche, neste dia da semana, uma ótima atmosfera de visitantes atraídos por bancas de rua.

A melhor maneira de ver a bastide de Villefranche de Rouergue é escalar o campanário da abadia com sua escadaria circular estreita de 163 degraus.

Do ponto de vista da torre você tem uma vista esplêndida da bastide, com a praça Notre Dame em primeiro plano. Se você visitar a cidade numa manhã de quinta-feira, a partir daí você pode ver as telas coloridas que cobrem as bancas do mercado, criando uma imagem muito peculiar.

Na minha visita em abril de 2015, não pude ver a feira pois a excursão não visitou a cidade em uma quinta-feira. Mas andando pela praça tive a oportunidade de admirar sua bela configuração medieval e desfrutar das mais variadas perspectivas arquitetônicas da linda cidade. Todo o lugar desperta-nos uma sensação convidativa, um “não quero mais sair daqui”.  A cidade nos intriga positivamente. Também a partir da torre da igreja você pode ver algumas edificações que se destacam na cidade, bem como a aglomeração de edifícios e os becos estreitos que mostram como foi configurada a vila medieval a partir do século XIII. Apesar de contratempos a cidade me cativou. Um dia ainda espero retornar a bastide, de preferência em um dia de feira. Ahh! Doce Villefranche, sinto saudades.

*É um tipo de cidade medieval fortificada que foi desenvolvida especialmente no sul da França a partir do século XIII, que com seu layout urbano especial proporcionou segurança aos seus habitantes e permitiu o desenvolvimento de atividades comerciais.
As bastides eram aldeias fortificadas com casas muito agrupadas pela estreiteza de suas ruas, que estavam dispostas em torno de uma praça central, e que se transformaram em lugares realmente fortes que permitiram defender-se dos ataques dos bandidos.
Atualmente, na França estão catalogados 415 bastides. Todas no sudoeste do país, distribuídas em quatro departamentos.
Paulo Edmundo Vieira Marques – Professor, Historiador e Escritor Medievalista.
Este texto é uma homenagem a minha grande e querida amiga Maria Cristina Aguado Casal. Mulher de extrema sensibilidade e generosidade. Abraço e obrigado por ser minha amiga

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